Aquilo que muda é aquilo que passa, um caminho, uma viagem

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Quem mais ganhou nesta experiência fui eu. No entanto, penso que em todas as pessoas com quem convivi deixei um pouco de mim e levei um pouco de elas… Posso dizer que estou mais preenchida, tendo em conta o contacto que tive com variadas pessoas, especialmente o contacto que tive com o que há de mais belo no mundo – as crianças. Como cada um de nós é um bocado de muita gente e um conjunto de influências externas, agora tenho uma maior diversidade em mim.

O meu voluntariado estava focado na agricultura, mas na realidade foi bem mais diversificado. Tentei fomentar o gosto pela natureza e agricultura com as crianças da comunidade com quem lidava diariamente, com a escola mais próxima onde dei umas “mini-aulas” sobre nutrição, natureza e agricultura, e numa comunidade mais distante, já dentro da selva, onde, apesar de irmos dar aulas de inglês, tentamos sempre incluir valores de respeito pela natureza e pelo próximo. Recebi e dei workshops de nutrição e culinária, tive encontros e fiz trabalhos que me ajudaram a perceber um pouco mais sobre o mundo em que vivemos e o passado que criou e condiciona este presente.

Essencialmente, tentei deixar nas crianças a semente pelo amor à natureza e respeito pelos seus animais. Nestes rápidos 5 meses pude observar mudanças em certas crianças, as mais jovens… Quando cheguei matavam ou maltratavam todos os insetos e certos animais que encontravam e quando eu lhes perguntava porque o faziam, diziam que não gostavam deles. Agora, ao final deste tempo, já os vejo a fazer caricias aos cães e não destruir as construções das formigas, ficando só a observar curiosamente os seus carreiros e casas.

Mesmo que a ajuda que tenha dado tenha sido mínima, penso que o simples facto de haver uma interação entre pessoas de culturas diferentes é positiva, pois afasta os preconceitos e aumenta a aceitação das diferenças. A convivência com diferentes culturas ou realidades liberta as mentalidades, tornando-as mais tolerantes. O contacto com realidades diferentes sempre ajuda ao crescimento interior e auto-conhecimento, pois quando a perspetiva é alterada, desaparecem alguns “fitros”, sendo possível uma diferente observação e consequente interpretação.

Por outro lado, poderíamos considerar negativo, por exemplo, permitir que estas crianças se afeiçoem a nós e, depois, deixar-mos tudo, não termos um compromisso com elas para o resto da vida… No entanto, esta é a realidade que sempre vai ocorrer na vida de todos nós, devido ao facto de que tudo é efémero, tudo na nossa vida vem e vai, nasce e morre. Assim é o ciclo da vida, para haver inicio tem que haver fim, para haver vida tem que haver morte, para haver bem tem que haver mal. Assim o é, e quanto melhor aceitarmos esse facto, mais tranquilamente poderemos viver esta vida que é um instante, onde apenas existe o efémero.

No inicio desta experiência estava muito contente por aqui chegar, agora estou contente por partir… Toda a partida é também uma chegada a outro destino. Agora vou continuar o meu percurso um pouco mais completa e feliz, mas sempre continuando à procura do meu caminho, nesta eterna procura que é a vida.

Os meus próximos caminhos serão por outros mundos, no entanto vou fazê-los tentado não me esquecer de uma coisa que aprendi: por pouco que possamos fazer, nunca devemos deixar de o fazer por pensar ser pouco… “A vida é feita de pequenos nadas”!

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